Os impostos são o terreno onde os senhorios menos cuidadosos perdem, sem dar por isso, um mês de renda todos os anos. E não a perdem para o Fisco — perdem-na para a sua própria papelada. Despesas dedutíveis que nunca foram registadas tornam-se deduções que nunca chegam a ser declaradas, e essa diferença vai parar diretamente à fatura do imposto.
As regras variam de país para país, por isso encare este texto como um mapa do território e não como um conselho para a sua declaração em concreto. Na dúvida, fale com um contabilista.
Os custos que os senhorios costumam deduzir
A maioria dos sistemas fiscais permite abater à renda os custos correntes de manter um imóvel arrendado. Os suspeitos do costume:
- Juros do crédito — muitas vezes a maior rubrica isolada, embora vários países já os limitem ou os convertam num crédito fiscal
- Reparações e manutenção — arranjar o que está avariado, voltar a pintar, fazer a revisão da caldeira
- Comissões de gestão e de arrendamento — comissão da agência, custos de angariação de inquilinos
- Seguros — do edifício, do recheio e de responsabilidade civil do senhorio
- Encargos de condomínio e foros em imóveis sujeitos a esse regime
- Impostos sobre o imóvel e taxas de licenciamento
- Honorários de contabilidade e despesas profissionais ligados ao arrendamento
- Serviços e taxas municipais durante os períodos em que o imóvel está vago e é o senhorio a suportá-los
Reparações ou benfeitorias — a fronteira que conta
É aqui que quase toda a gente tropeça. As reparações repõem o que já lá estava e são, por norma, dedutíveis no ano em que as paga. As benfeitorias deixam o imóvel melhor do que estava — uma ampliação, uma cozinha equipada montada de raiz — e são tratadas como capital. Em regra, não as pode deduzir ao rendimento; o que fazem é reduzir o imposto sobre as mais-valias quando vender.
Substituir uma vedação partida: reparação. Trocar a vedação por um muro de tijolo: benfeitoria.
Enganar-se neste ponto significa deduzir a mais agora ou perder o benefício mais tarde.
Os registos que decidem uma dedução
Uma dedução que não consegue comprovar é uma dedução que não pode declarar com segurança. Para cada imóvel, guarde:
- Cada fatura e cada recibo, com data e associado ao imóvel
- Os movimentos bancários que comprovam a saída do pagamento da sua conta
- Um registo atualizado das rendas recebidas e dos custos pagos
- Registos de quilómetros ou de deslocações, caso visite o imóvel
- A distinção entre o que gastou em reparações e o que gastou em benfeitorias
É a parte aborrecida do processo — e é exatamente para isto que existe o software. O PropFlow regista cada custo no imóvel a que pertence, classifica-o por categoria e exporta um dossiê financeiro de fim de ano que o seu contabilista vai mesmo conseguir aproveitar. Assim, na altura dos impostos, está a filtrar um registo organizado, em vez de vasculhar uma caixa de sapatos cheia de papéis.
Antes de entregar a declaração
Conheça os seus custos dedutíveis antes de comprar, e não depois. Introduza os seus números na calculadora de rentabilidade do arrendamento para ver como os custos correntes alteram o seu retorno — os mesmos custos que, bem registados, se transformam em deduções.